Juros altos e clima instável antecipam decisões no campo para a Safra 2026/2027
Muito antes do plantio, a próxima safra já começa a ser desenhada dentro das propriedades rurais. Em um cenário marcado por crédito mais caro, oscilações de mercado e incertezas climáticas, agricultores e pecuaristas têm antecipado decisões para reduzir riscos, controlar custos e proteger a rentabilidade dos negócios. As projeções econômicas reforçam essa necessidade. De acordo com o Banco Central, a expectativa dos analistas é que a taxa Selic encerre 2026 em 13,75% ao ano, mantendo o custo do crédito em patamares elevados.
Para Deise Rohde, assessora de Segmento Agro da Sicredi Vanguarda PR/SP/RJ, o momento exige atenção redobrada. “Neste período, é fundamental acompanhar as perspectivas de mercado, projetar custos e receitas e avaliar mecanismos de proteção. Quanto mais cedo o planejamento é realizado, maiores são as chances de reduzir riscos e tomar decisões mais assertivas ao longo do ciclo produtivo”, afirma.
Crédito rural movimenta bilhões
Entre julho de 2025 e maio de 2026, o Sistema Sicredi liberou R$ 68,2 bilhões em crédito rural por meio do Plano Safra 2025/2026. Na área de atuação da Sicredi Vanguarda PR/SP/RJ, o volume de recursos disponibilizados aos produtores alcançou R$ 2 bilhões no período. O programa segue vigente até 30 de junho de 2026.
Para a Safra 2026/2027, a instituição cooperativa financeira projeta disponibilizar R$ 38,9 bilhões em crédito rural em todo o país. Na Sicredi Vanguarda PR/SP/RJ, a demanda planejada para o próximo ciclo é de R$ 1,9 bilhão.
Mais do que custear a produção
Segundo a especialista, a tomada de crédito deve estar integrada ao planejamento financeiro da propriedade. Antes de contratar financiamentos, é importante avaliar custos de produção, expectativa de produtividade e fluxo de caixa.
“O crédito não deve ser visto apenas como uma forma de custear o negócio. Quando utilizado de maneira estratégica, torna-se uma ferramenta para aumentar a produtividade, investir em tecnologia, ampliar a capacidade produtiva e fortalecer a competitividade do negócio”, explica Deise Rohde.
Seguro rural ganha protagonismo
Se antes era considerado um diferencial, hoje o seguro rural passou a ocupar posição estratégica na gestão da propriedade. A maior frequência de estiagens, geadas, tempestades e outros eventos extremos elevou a preocupação dos produtores com a proteção da renda.
“O agronegócio é realizado a céu aberto. Mesmo diante de perdas provocadas pelo clima, muitos custos permanecem. Por isso, o seguro é uma ferramenta importante para garantir maior estabilidade financeira e segurança para a continuidade da atividade”, destaca Deise.
Do sonho ao mercado internacional
Na prática, esse planejamento já faz parte da rotina de produtores que precisam tomar decisões cada vez mais estratégicas. É o caso de Cleber André Hippler de São Roque, distrito de Santa Helena (PR), que transformou um sonho em um negócio consolidado na avicultura com o apoio do Sicredi.
Antes de ingressar no segmento, ele trabalhava como pedreiro na construção de aviários. Em 2002, construiu o primeiro aviário e deu início a uma trajetória marcada por investimentos graduais e crescimento planejado.
Atualmente, a propriedade conta com seis aviários, capacidade para 135 mil aves e produção que abastece os mercados nacional e internacional. “Começamos com um sonho e hoje nossa produção chega a países como a Arábia Saudita”, afirma.
A sucessão familiar também impulsionou novos investimentos após a decisão do filho de permanecer no agronegócio. “É muito gratificante saber que ele dará continuidade ao trabalho que construímos ao longo de tantos anos. Isso nos motiva a seguir investindo”, destaca Cleber.
Planejamento ganha ainda mais importância
Diante de um cenário de crédito mais caro, volatilidade de mercado e desafios climáticos, o acesso a ferramentas financeiras e de proteção se torna cada vez mais relevante para a sustentabilidade das propriedades rurais.
“Além do crédito, é importante contar com soluções que ajudem a proteger o patrimônio e dar mais previsibilidade à atividade. Seguros, investimentos, consórcios e outras ferramentas financeiras contribuem para fortalecer a gestão da propriedade e preparar o negócio para diferentes cenários”, conclui Deise.


Comentários