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06 março, 2026
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Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos da INB completa 20 anos

O Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos da Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), uma das unidades das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), completa 20 anos. Implantado em 2006, o programa foi estruturado para padronizar a segregação, o armazenamento e a destinação adequada dos resíduos gerados na unidade, com o objetivo de se alinhar às exigências ambientais e à legislação vigente. “A rotina envolve resíduos orgânicos, recicláveis, industriais, químicos, de saúde e de construção civil, todos tratados conforme a legislação ambiental e fiscalização dos órgãos competentes”, explica a química da INB Michele Kuceki, responsável pelo programa.

No último ano, como resultado desse trabalho, foram produzidos 49,3 kg de composto maturado bruto, por meio da compostagem de restos alimentares do restaurante e aparas de jardim. Desse total, 23,9 kg de composto peneirado foram utilizados no Programa de Recuperação Ambiental da INB, aplicados tanto na produção de mudas quanto na adubação de solo, transformando resíduos em insumos essenciais para a biodiversidade local. Também foram encaminhadas mais de 16 toneladas de resíduos recicláveis à Cooperativa de Catadores Recicla Resende e destinados de forma ambientalmente adequada 684 toneladas de resíduos diversos.

Atualmente, o programa da FCN conta com áreas específicas para armazenamento e segregação de resíduos, estruturas para compostagem de resíduos orgânicos do restaurante, além de equipe técnica dedicada, equipamentos próprios e contratos com empresas especializadas para transporte e destinação final. O programa abrange desde a coleta interna e a classificação de resíduos comuns, perigosos, recicláveis e de serviços de saúde, até o controle, inventário e reporte anual das informações ao Ibama, para garantir conformidade ambiental.

De acordo Kuceki a atividade opera de forma contínua, integrada e altamente controlada, desde a coleta interna até a destinação final, de acordo com cada tipo de resíduo gerado.

Fiscalização e monitoramento - O gerenciamento de resíduos não se encerra com a coleta. A empresa mantém responsabilidade legal sobre cada resíduo até sua destinação final, acompanhando todo o processo e mantendo controle documental rigoroso. Auditorias ambientais exigem comprovar cada etapa, incluindo licenças dos transportadores e receptores.

A equipe realiza ainda monitoramento visual contínuo das áreas internas e externas da unidade, verificando possíveis vazamentos, acondicionamento inadequado ou não conformidades. Apenas materiais liberados pela área de proteção radiológica saem da unidade. Aqueles que não recebem essa liberação ficam retidos sob as normas da Gerência de Proteção Radiológica e Salvaguardas para o tratamento adequado.

Estrutura - Como parte do processo de aprimoramento contínuo, a FCN está em fase de ampliação de sua estrutura, com a implantação da Central Temporária de Resíduos Sólidos (CTRS), prevista como condicionante da licença ambiental. A iniciativa visa aumentar a capacidade de armazenamento, melhorar a organização e reforçar a segurança operacional.

O compromisso com o programa de gerenciamento de resíduos sólidos foi reforçado a partir de 2013, quando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio da Licença de Operação nº 1174/2013, destacou a importância da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010). Desde então, a FCN vem aprimorando continuamente sua estrutura de gestão, garantindo conformidade legal e responsabilidade ambiental.



Conheça os tipos de resíduos coletados na Fábrica de Combustível Nuclear



Compostagem - Os resíduos orgânicos provenientes, principalmente, do restaurante da unidade são coletados diariamente, pesados e encaminhados para o processo de compostagem. O material é disposto em leiras, estruturas alongadas onde ocorre a decomposição controlada, cuja formação acontece ao longo de 10 dias. A cada duas semanas, uma nova leira é iniciada, enquanto as anteriores seguem em processo de revolvimento (processo de mobilização da camada superficial do solo), irrigação, cobertura e peneiramento.

O ciclo completo até a transformação do resíduo em composto orgânico leva aproximadamente três meses. Durante esse período, as leiras são reviradas regularmente para garantir aeração adequada e acelerar o processo biológico. Após essa fase, o material é retirado da área coberta e finaliza sua maturação em área externa, liberando espaço para novas leiras e mantendo o fluxo contínuo do sistema.

Além dos resíduos orgânicos do restaurante, restos de poda e resíduos de jardinagem, como grama, também são incorporados ao processo, contribuindo para o equilíbrio da mistura e a qualidade do composto final.

Coleta seletiva e reciclagem - A coleta de resíduos recicláveis ocorre em todas as áreas da unidade, incluindo fábricas, oficinas, setores administrativos e áreas de apoio. São recolhidos papelão, papel, plásticos, vidros, metais, sucatas, fiações, caixas de madeira, embalagens, além de documentos destinados ao descarte seguro.

Esses materiais são encaminhados para a primeira portaria da unidade, onde funcionam estruturas específicas para segregação, prensagem e fragmentação. O papelão é prensado em fardos, os documentos são fragmentados e acondicionados seguramente, e os demais recicláveis são separados por tipo.

Conforme o coordenador de Meio Ambiente e Proteção Radiológica Ambiental, Ronaldo Furtado, o material reciclável é destinado à Cooperativa de Catadores Recicla Resende, em atendimento à legislação que determina que associações ou cooperativas para esse tipo de resíduo devem ser priorizadas. “Essa parceria existe desde 2006 e contribui para a geração de renda e inclusão social do município, além de fortalecer a política de responsabilidade socioambiental da empresa”, disse.

Resíduos industriais, químicos e de saúde- Ronaldo explicou que resíduos industriais e perigosos, como mantas contaminadas com óleo, lâmpadas, óleos lubrificantes, óleos de corte, resíduos químicos vencidos, resíduos de serviços de saúde e materiais contaminados, seguem um fluxo rigoroso de controle. “Esses resíduos são armazenados em contêineres específicos e somente coletados por empresas terceirizadas devidamente licenciadas”, explica.

Antes de qualquer retirada, toda a documentação é analisada pela equipe do Programa de Gerenciamento de Resíduos: licenças ambientais, tipo de tratamento, validade dos cadastros e destino final. Cada remessa gera um Manifesto de Transporte de Resíduos no sistema do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), com identificação do gerador, transportador, motorista e receptor final, garantindo total rastreabilidade.

“Dependendo da natureza do resíduo, a destinação pode envolver incineração, coprocessamento, tratamento de efluentes, limpeza de caixas de gordura ou outras tecnologias específicas, sempre conforme exigido pela legislação ambiental”, diz o coordenador.

Construção civil e outras demandas- Obras, reformas e manutenções também são acompanhadas de perto pelo programa. Resíduos de construção civil, como telhas, entulhos, madeira e sobras de obras, não são encaminhados à cooperativa, sendo destinados a empresas especializadas, contratadas especificamente para esse fim. As áreas internas da unidade têm a obrigação de comunicar previamente qualquer atividade que gere resíduos atípicos, conforme previsto em procedimento. Isso permite a avaliação prévia da documentação, a emissão de manifestos e o correto planejamento da destinação.

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