Bailarinos de Três Rios e Paraíba do Sul integram elenco de espetáculo de BM
A Associação Artemagia amplia seu alcance com a montagem do espetáculo Maria Gata, com a chegada de novos artistas ao elenco. Quatro bailarinos das cidades de Três Rios e Paraíba do Sul passaram a integrar oficialmente o projeto durante ensaio realizado no último fim de semana, no SEST SENAT, em Barra Mansa. Foram selecionados para o elenco os bailarinos Agatha Valentim e Vitor Oliveira, de Três Rios, além de Roberta Alves e Kaê Azevedo, de Paraíba do Sul. O encontro marcou o primeiro ensaio do grupo junto ao restante da companhia e à equipe criativa do espetáculo.
Ainda integram o elenco os bailarinos de Volta Redonda: Fábio Lacerda, Flora Carvalho, Gabi Gabriela, Isabela Rigueira e Lethycia Silva, e de Porto Real, Ana Carla Felizardo. A música do espetáculo é ao vivo e conta com Luis Lima Japão, Pablo Café e Raphael Garcêz.
Inspirado no livro Escrava Maria Gata, de José Adal Pereira de Souza, o espetáculo propõe uma leitura em dança contemporânea sobre ancestralidade, memória e espiritualidade afro-brasileira. O autor esteve presente no ensaio e vem acompanhando o desenvolvimento do espetáculo desde as primeiras etapas de criação. A relação próxima entre literatura e cena tem sido um dos pilares conceituais da montagem, que transforma a narrativa do livro em uma experiência coreográfica marcada por referências afro-diaspóricas, música ao vivo e pesquisa corporal contemporânea.
Para a bailarina Agatha Valentim, o primeiro contato com o processo criativo foi marcante. “Foi uma experiência intensa e muito enriquecedora. O ensaio trouxe ainda mais conexão com o elenco e com a essência do espetáculo”, afirmou. A distância do local dos ensaios é um desafio para os jovens bailarinos da região Centro-Sul, mas o esforço parece valer a pena. Para o bailarino Vitor Oliveira, “ainda que longe de casa, o projeto é muito válido! No interior há poucas oportunidades para nós artistas, então a distância já é algo que a gente tem que encarar, principalmente para viver boas e novas experiências”. Ao falar da experiência do primeiro dia que participou dos ensaios, comentou sobre o desafio: “O estilo de dança é diferente do que eu estou acostumado, o corpo não corresponde na hora, porém, a parceria do coreógrafo, incrível por sinal, a dinâmica do grupo e a paciência da equipe, colabora para aumentar a satisfação em fazer parte desse projeto”, finalizou.
Sara Bernardes, de Paraíba do Sul, é professora da Roberta e do Kaê, ambos de dezoito anos, que participam pela primeira vez de um espetáculo profissional. “Integrar uma produção desse porte é uma experiência transformadora para qualquer bailarino. Ainda mais tão jovens e que almejam uma carreira artística. É grande minha expectativa como professora, acompanhando-os desde quando iniciaram na dança até agora chegando a uma grande produção como essa. Eles estão empolgados, animados, inspirados com o trabalho“, completou Sara.
Segundo Marcelo Bravo, diretor artístico e de produção do projeto pela Mart.co, a composição do elenco é uma das etapas mais delicadas da montagem. “Esse é um projeto que precisa de um elenco e de uma equipe formada majoritariamente por pessoas negras. O tema é forte, simbólico e atravessa questões profundas da ancestralidade afro-brasileira. Na região do Médio Paraíba, seja pela indisponibilidade ou pela carência de profissionais com esse perfil específico, não conseguimos compor todo o elenco localmente e abrimos uma seleção em nível estadual. Encontrar esses bailarinos jovens, em início de carreira, mas já com grande capacidade técnica e expressiva, foi uma excelente surpresa”, destacou.
A coordenadora do projeto e da Associação Artemagia, Tereza Mendes, ressalta que a chegada de artistas de outras regiões confirma o crescimento institucional da entidade. “A montagem do espetáculo amplia o alcance da Associação Artemagia, que já possui uma trajetória consolidada no Médio Paraíba e agora demonstra também seu potencial em nível estadual. Receber artistas de diferentes cidades fortalece nossa rede de formação, circulação e criação artística”, afirmou.
A montagem é assinada pela Cia Ballet de Câmara, núcleo profissional de produção artística da Artemagia, que tem seu principal eixo de atuação as ações formativas do projeto Dança & Magia. A companhia construiu sua trajetória com espetáculos autorais e de repertório do Ballet, além de pesquisas em dança contemporânea e circulação regional. Ao longo dos anos, participou de festivais, mostras e projetos culturais em diferentes cidades do estado do Rio de Janeiro, consolidando um trabalho voltado à formação de artistas e à criação de obras que dialogam com memória, identidade e território.
Para Bete Spinelli, presidente da Associação Artemagia, acompanhar esse crescimento coletivo é motivo de orgulho. “É emocionante perceber onde a Artemagia chegou. Ver jovens artistas vindo de outras cidades para construir esse espetáculo conosco mostra que estamos no caminho certo. A arte transforma vidas, cria pertencimento e abre horizontes. Esse projeto representa encontro, oportunidade e potência criativa”, declarou.
As apresentações de estreia de Maria Gata - Poder Ancestral, Cura e Natureza, serão nos dias 01 e 02 (sessão inclusiva com libras e mediação) de julho no SESC Barra Mansa, e 08 e 09 de julho no Gacemss em Volta Redonda, todas às 19h30. Todas as sessões gratuitas, com retirada de ingressos pelo Sympla. O projeto é uma realização da Associação Artemagia com produção da Qult Tecnologias Culturais, com a colaboração da Mart.co. e conta com o patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SECEC), por meio do Edital Literatura do Rio ao RJ. Mais informações podem ser obtidas pelos perfis no Instagram: @qult.culturas e @associacaoartemagia_


Comentários