Barra Mansa é referência na Saúde com 31 transplantes renais em pouco mais de 1 ano
O que há pouco mais de um ano representava uma novidade para a estrutura de saúde de Barra Mansa hoje já integra a rotina de procedimentos de alta complexidade da Santa Casa de Misericórdia. Na noite de quinta-feira (03), a unidade realizou o 31º transplante renal desde o início do serviço, em maio de 2025, reforçando a posição do município como polo regional de transplante renal conectado à rede nacional. Os números reforçam a importância da Campanha Setembro Verde, dedicada ao incentivo à doação de órgãos.
Em 16 meses de atividade, a equipe passou da implantação da especialidade à execução regular das cirurgias, alcançando uma média aproximada de dois procedimentos mensais. O resultado demonstra a capacidade técnica desenvolvida pela unidade e sua articulação com o sistema responsável pela captação, distribuição e regulação de órgãos, o SNT (Sistema Nacional de Transplantes), ligado ao Ministério da Saúde. O sistema gerencia a fila única de espera de forma transparente e integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Em Barra Mansa, o último rim utilizado na cirurgia chegou da cidade do Rio de Janeiro para um homem, morador de Paraty. O deslocamento do órgão exige cuidados específicos para preservar suas condições até o momento da implantação.
O rim é acondicionado em uma caixa térmica própria e submetido à chamada isquemia fria estática, método que reduz o metabolismo celular e permite manter a viabilidade do tecido fora do organismo entre 24 e 36 horas. No Brasil, existem apenas quatro caixas de transporte como essa.
Para o secretário de Saúde, Dr. Sérgio Gomes, o número de procedimentos realizados demonstra que o transplante renal deixou de ser uma iniciativa pontual e passou a fazer parte da estrutura permanente de atendimento de alta complexidade do município.
- Chegar ao 31º transplante renal em 16 meses mostra que Barra Mansa conseguiu consolidar uma estrutura capaz de realizar procedimentos de alta complexidade de forma contínua e segura. Esse resultado é fruto do trabalho de uma equipe especializada, da organização de toda a rede de atendimento e da integração com os sistemas estadual e nacional de transplantes. Temos aqui a demonstração de que o município está preparado para oferecer um serviço de referência e atender pacientes de diferentes cidades da região - destacou Sérgio Gomes.
A preparação para transformar Barra Mansa em polo renal começou no ano 2000. A habilitação pelo Ministério da Saúde foi concluída em 2023. Até a realização do primeiro transplante renal, foi necessário estruturar o atendimento especializado e organizar a inclusão de pacientes no sistema nacional de espera.
A primeira cirurgia ocorreu em 4 de maio de 2025 e beneficiou uma paciente de 46 anos, moradora de Angra dos Reis. A partir daquele momento, a Santa Casa passou a receber pacientes encaminhados de acordo com os critérios estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes. Os órgãos vieram de estados como Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraná e do Distrito Federal.
Fases do processo
Em Barra Mansa, os transplantes renais realizados na Santa Casa são coordenados pela nefrologista Dra. Carolina Fernandes e envolvem uma estrutura multidisciplinar. Além da cirurgia propriamente dita, o atendimento compreende avaliação clínica, exames de compatibilidade, regulação, preparação do receptor, transporte do material biológico e acompanhamento após o procedimento.
- A organização da fila e a gestão dos órgãos são atribuições do Governo do Estado, por meio do Programa Estadual de Transplante (PET). O município participa desse fluxo por meio da regulação, que recebe informações sobre a disponibilidade de órgãos e auxilia na articulação necessária para viabilizar cada cirurgia - explicou a médica.
Doador de órgãos
O funcionamento dessa estrutura, contudo, depende da existência de doadores. Nos casos de morte encefálica, a retirada de órgãos somente pode ocorrer depois da confirmação dos critérios médicos e legais e da autorização dos familiares.
- É preciso orientar a família sobre a intenção de ser um doador, pois é ela que vai aceitar ou não a doação após a morte. Em vida, podemos assinar termos, mas eles não são válidos após o falecimento - acrescenta Carolina Fernandes.
Caso a doação seja viabilizada, a retirada do órgão ocorre em centro cirúrgico especializado. Os órgãos são distribuídos por critérios técnicos e de compatibilidade sanguínea, gerenciados pela lista única do Sistema Nacional de Transplantes.


Comentários