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03 fevereiro, 2026
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Jiu-Jitsu provoca de forma brutal uma necessidade profunda do ser humano ser reconhecido

 Por  Marco Viana

Faixa preta 5° grau Jiu-Jitsu

Equipe Pagels Jiu-Jitsu


O ser humano tem uma necessidade profunda de ser reconhecido, se destacar e ocupar o topo. Essa busca por ser “o número um” nasce do instinto, do ego e da comparação constante. O problema é que, quando esse desejo não é bem trabalhado, ele passa por cima de princípios, valores e lealdade.
O jiu-jitsu provoca isso de forma brutal. No tatame, não existe status que se sustente. Cada treino expõe limites, falhas e fraquezas. Para alguns, isso vira combustível para evoluir; para outros, vira frustração. Quando o ego não aceita ser contrariado, a saída mais fácil é romper vínculos, questionar a hierarquia e abandonar a equipe.
Muitas pessoas confundem evolução com individualismo. Acham que para ser o melhor precisam caminhar sozinhas, esquecendo que o jiu-jitsu é forjado na coletividade, na confiança e no respeito ao caminho. A troca de equipe, nesses casos, não é crescimento! É fuga do desconforto que o tatame impõe.
O verdadeiro jiu-jitsu ensina que ser o número um sem princípios não é vitória. Graduação, medalha e destaque passam. Caráter, lealdade e gratidão ficam. Quem abandona valores para subir mais rápido até pode ganhar espaço, mas perde o que realmente sustenta um lutador dentro e fora do tatame.
O jiu-jitsu não afasta ninguém. Ele apenas revela quem está pronto para crescer com humildade e quem prefere vencer a qualquer custo.
O caminho correto não é ser o número um a qualquer custo, é se tornar melhor sem perder quem você é. No jiu-jitsu, esse caminho é antigo, simples e difícil, por isso poucos seguem.
Primeiro: hierarquia e humildade: Entender que sempre haverá alguém à frente e alguém atrás. Respeitar quem veio antes, aprender com quem sabe mais e ensinar quem sabe menos. O tatame não é lugar de ego inflado, é lugar de formação.
Segundo: pertencer antes de brilhar: O lutador cresce dentro da equipe, não acima dela. Quem coloca o “eu” antes do “nós” até pode ter resultados rápidos, mas não cria raiz. O jiu-jitsu verdadeiro é construído com lealdade, confiança e tempo.
Terceiro: competir contra si mesmo: O adversário real não é o colega de treino nem a outra equipe, é a versão acomodada de ontem. Evoluir tecnicamente, fisicamente e mentalmente sem atropelar valores é o que sustenta uma carreira longa.
Quarto: aceitar o desconforto: Ser finalizado, perder espaço, ouvir correção e esperar a hora certa faz parte do processo. Quem foge disso foge do próprio crescimento. O jiu-jitsu testa o caráter antes de premiar o talento.
O caminho correto é crescer com a equipe, respeitar o processo e manter os princípios mesmo quando ninguém está olhando. Porque no jiu-jitsu, como na vida, chegar ao topo sem valores é cair por dentro!

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