VR lança projeto de conscientização para prevenção de acidentes com coletores de lixo
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Volta Redonda, em parceria com o Centro Regional de Saúde do Trabalhador (Cerest) e a Divisão de Saúde do Trabalhador (DVISAT), lançou um projeto de conscientização com o objetivo de reduzir os acidentes envolvendo coletores de lixo urbano. A medida visa especialmente combater os riscos causados pelo descarte inadequado de materiais perigosos, como agulhas, seringas, vidros e outros objetos cortantes, que muitas vezes são dispostos de forma incorreta pela população.
O Cerest realizou uma pesquisa com 33 coletores de lixo domiciliar para avaliar a ocorrência de acidentes com materiais perfurocortantes. O resultado revelou uma realidade preocupante: mais da metade dos trabalhadores já sofreu algum tipo de acidente com materiais cortantes, evidenciando a gravidade da situação e a necessidade urgente de mudanças nos hábitos de descarte.
Segundo a pesquisa, 57,6% dos coletores afirmaram ter sofrido acidentes com materiais perfurocortantes. Desses, 73,7% relataram que o vidro foi o principal responsável pelos acidentes. A situação é ainda mais preocupante quando 21,1% dos entrevistados mencionaram ter sofrido entre dois e três acidentes, e 5,3% enfrentaram mais de três episódios de acidentes durante o trabalho.
“A pesquisa mostra um quadro alarmante de acidentes com materiais que poderiam ser descartados corretamente, como vidros e agulhas. Isso não só coloca em risco a vida dos coletores, mas também reflete a falta de conscientização da população sobre o descarte adequado desses materiais”, afirma Carlos Amaro Chicarino de Carvalho, coordenador do Cerest.
Os bairros com maior número de registros de acidentes incluem Santo Agostinho, Aterrado, Retiro, Bela Vista, Vila Santa Cecília, Jardim Normandia, Vale Verde, Padre Josimo, Roma e Candelária. Esses dados demonstram que o problema afeta diversas áreas da cidade e precisa de uma ação coordenada para a conscientização da população.
Descarte correto: a solução para evitar acidentes
Com o objetivo de evitar novos acidentes, o projeto de conscientização busca educar a população sobre como realizar o descarte correto desses materiais.
“Agulhas e seringas, por exemplo, devem ser acondicionadas de forma segura, como em garrafas PET, e entregues nas unidades de saúde. Isso pode prevenir lesões graves nos trabalhadores da limpeza urbana e garantir um descarte mais responsável”, explica Carlos Amaro.
Além disso, a iniciativa orienta sobre o descarte adequado de outros materiais perigosos. Vidros e garrafas devem ser descartados em pontos de coleta específicos, como as empresas de reciclagem Reciclar (Bairro Cicuta), Folha Verde (Voldac) e Rosa de Ouro (São Geraldo). Caso não haja acesso a um desses pontos, os vidros devem ser embalados em papelão, identificados como "vidro" e colocados separadamente do lixo doméstico para a coleta regular.
Medicamentos vencidos podem ser entregues nas unidades de saúde ou em pontos de coleta nas farmácias. Materiais eletrônicos devem ser levados à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), que realiza o recebimento e encaminhamento para o destino correto.
Carlos Amaro reforça que a colaboração da comunidade é fundamental para garantir a segurança dos coletores de lixo e a preservação do meio ambiente. “O descarte correto não só protege os trabalhadores da limpeza urbana, mas também facilita a reciclagem e o reaproveitamento dos materiais, resultando em um ambiente mais limpo e seguro para todos. Com a participação ativa de cada cidadão, Volta Redonda poderá avançar em direção a um futuro mais seguro, saudável e sustentável”, enfatiza.


Comentários